
"Hallyu": a onda coreana
Entenda a "febre" da cultura da Coreia do Sul no Brasil e no mundo
Um dos contatos mais marcantes que a Coreia do Sul teve com o restante do mundo foi com o lançamento da música Gangnam Style, do cantor Psy, em 2012, que viralizou tanto na internet que o clipe se tornou o primeiro vídeo na história a ultrapassar um bilhão de visualizações no Youtube. Desde então, a hallyu - neologismo referente a popularização da cultura sul-coreana -, ou onda coreana, tem ganhado cada vez mais espaço no Ocidente, principalmente no Brasil, onde o interesse por esse país asiático tem aumentado significativamente na última década.
Texto: Giovanna Fernandes
A origem da hallyu remonta aos anos 90, quando a Coreia do Sul teve de traçar uma estratégia para superar uma crise econômica em 1997, que afetou os países emergentes do continente asiático, especialmente os Tigres Asiáticos - Hong Kong, Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan. Dessa forma, a cultura sul-coreana se espalhou por todo o mundo, contribuindo tanto para a revitalização econômica, quanto para a construção de uma identidade nacional.

O termo "hallyu" foi criado por jornalistas de Pequim. Vídeo: Freepik.
Cada vez mais escolas oferecem cursos de coreano, tanto presenciais, quanto remotos. De acordo com a Profa. Vitória Torres, que fundou um curso on-line a preços acessíveis, a procura por estudos da língua coreana tem aumentado significativamente nos últimos anos, principalmente por conta do fenômeno do K-pop e dos K-dramas. Dentro da sala de aula, ela usa referências às músicas e séries como exemplos para ajudar nos estudos dos seus alunos.
Texto: Marcella Brasil
O K-pop - abreviação de Korean pop - surgiu nos anos 50, quando o Oriente e o Ocidente começaram a ter relações socioculturais entre si. Um dos berços desse estilo está localizado no bairro de Itaewon, na capital Seul, onde os sul-coreanos se sentiram tão inspirados pelos estadunidenses que tiveram a ideia de formar o que chamam de boygroups e girlgroups.
Esse bairro também é bastante conhecido por conta da sua diversidade, sendo um dos primeiros em todo o território da Coreia do Sul a ser considerado um espaço de inclusão para a comunidade LGBTQIAP+ do país. Além disso, Itaweon é uma das regiões sul-coreanas mais ricas no sentido sociocultural, principalmente por conta da presença de restaurantes, bares, karaokês e baladas em seus arredores, o que atrai a atenção de locais e turistas.
Texto: Marcella Brasil
No K-pop, os idols - artistas da indústria musical coreana - têm o costume de combinar diversos gêneros, como o pop, o rock e o hip-hop, por exemplo, com visuais estilizados e coreografias elaboradas, que atraem a atenção de jovens como a Cecilia Mia, que teve a oportunidade de ir no show do BTS, um dos grupos de K-pop mais famosos, no Brasil em 2019. "A sensação de viver aquele show foi uma das melhores experiências que eu já tive na minha vida e eu mal posso esperar pela próxima vez que eles vierem para cá", relata Mia.
O Brasil é o 5º país que mais ouve K-pop em todo o mundo.
Fonte: Spotify
Cecilia Mia - Fã de K-pop
Texto: Giovanna Csiszar
Imagem: Reprodução
Já nos anos 60, surgiu o K-drama, que são as produções audiovisuais da Coreia do Sul. Também chamados de doramas - termo originado da pronúncia japonesa da palavra “drama” -, abordam temas que estão ligados à vida cotidiana, como relacionamentos amorosos, laços familiares e ambientes acadêmicos e profissionais. Essas minisséries se popularizam bastante no Brasil, principalmente entre as mulheres - que se autointitulam de dorameiras -, como a Estefânia Oliveira. "Pousando no Amor foi o primeiro que eu assisti e eu me apaixonei", conta Estefânia.
80% dos usuários de Netflix consomem produções sul-coreanas na plataforma de streaming.
Fonte: Netflix
Texto: Giovanna Fernandes
Além da Coreia do Sul, outros países são famosos por produzirem doramas, como o Japão e a China, por isso, é importante ressaltar que, apesar dos estereótipos, que apenas reforçam a xenofobia contra os povos asiáticos, cada uma dessas nações possuem características próprias que as diferenciam entre si.
Imagens: IMDB/Reprodução
Texto: Giovanna Fernandes
Imagens: Netflix/Reprodução
O fenômeno hallyu tem se intensificado tanto no Brasil que, no bairro do Bom Retiro, na cidade de São Paulo, existe um shopping inteiramente dedicado a lojas coreanas, que oferecem produtos de todos os tipos. O shopping Ksquare - quadrado coreano em português - reflete o interesse pelo estilo de vida característico da Coreia do Sul e, além de ser mais do que apenas um centro de compras, o local também é um ponto de imersão cultural, onde as pessoas que o visitam podem consumir o que a cultura do país tem a oferecer para o mundo.
De cosméticos importados a comidas típicas, esse espaço oferece uma porção de produtos para todos os gostos. Bastante retratada em séries sul-coreanas, as lojas de conveniência são um ponto forte desse espaço, onde são ofertadas mercadorias como lámen e soju, que vieram da Coreia do Sul para conquistar as pessoas no Brasil. Você pode visitar o Shopping Ksquare de segunda a domingo, das 10h às 22h, no número 266 da Rua Guarani.
Texto: Marcella Brasil
Nas proximidades desse shopping, está localizada a AIGO Livros, uma livraria que possui uma ampla seleção de livros e publicações dos países de origem e diásporas das comunidades imigrantes do bairro do Bom Retiro, como a sul-coreana. Dentro do espaço, é possível ver placas sobre a origem dos livros, tanto em português, quanto em coreano, facilitando a comunicação com a população imigrante que ainda vive nessa região.
A principal indicação literária de uma das sócias da livraria, Agatha Kim, é o livro Pachinko, da autora Min Jin Lee, que narra a saga de três gerações de uma família que, durante o século XX, migrou da Coreia do Sul para o Japão. Você pode conhecer a AIGO Livros de terça a domingo, das 10h às 18h, no número 453 da Rua Ribeiro de Lima.
Texto: Giovanna Csiszar
Além do Bom Retiro, a Liberdade é um dos principais pontos turísticos de São Paulo onde as pessoas podem conhecer um pouco mais sobre a Coreia do Sul. Grande parte dos restaurantes que se concentram nesses bairros oferecem aos clientes uma variedade de pratos típicos sul-coreanos que conquistam o paladar através de sabores apimentados e agridoces.
Imagens: Freepik
Texto: Giovanna Fernandes
Outro local bastante frequentado pelos brasileiros que são apaixonados pela cultura sul-coreana é o Centro Cultural Coreano, localizado na região central da capital paulista. Esse espaço, que é mantido pelo Serviço de Cultura e Informação Coreana, do Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul, é parte dos esforços para promover um intercâmbio sociocultural por meio de atividades de artes plásticas, cinema, música, literatura, esportes e culinária. Você pode visitar o Centro Cultural Coreano de terça a domingo, das 10h às 18h, no número 460 da Avenida Paulista.
Texto: Giovanna Fernandes
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Giovanna Fernandes
Marcella Brasil

Esta plataforma interativa foi produzida para a disciplina Reportagem Multimídia do curso de Jornalismo da Faculdade Paulus de Comunicação (FAPCOM) com a orientação da Profa. Rita Donato.